Champanhe

Avenue de Champagne em Epernay - Endereço de maisons famosas

Avenue de Champagne em Epernay - Endereço de maisons famosas

Qualquer pessoa sabe que o champanhe, o vinho original, feito na França na região de mesmo nome, é um produto caro e elitista. Em grandes eventos, é sempre sinônimo de status e pujança econômica. Em comemorações, nada é mais chique do que servir champanhe. Quer impressionar em um encontro romântico? Peça champanhe! Mesmo que o líquido não agrade a companhia, o preço certamente impressionará. Acho que não existe vinho tão social (e sensual) como o champanhe.

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Neste post utilizo o termo Champagne, iniciando em maiúsculo e com “gn” para fazer referência a região de origem; champanhe, em minúsculo e com “nh” fica reservado para falar sobre o vinho.

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Mas será que Champagne pode ser considerada berço de grandes vinhos? A resposta é óbvia: sim! Em Champagne encontramos todos os elementos chaves para a produção de grandes vinhos, por isso não pense que a fama do champanhe é injustificada. Estive em Epernay, no coração de Champagne, para aprender sobre o mais famoso (e melhor) vinho borbulhante do mundo.

Vinhedos em Mesnil-sur-Oger - Um dos mais nobres (e caros) terroirs da França

Vinhedos em Mesnil-sur-Oger - Um dos mais nobres (e caros) terroirs da França

Champagne é a terra das maisons, como são chamadas as empresas produtoras de champanhe. Diferentemente de outras regiões da França, onde as AOC´s possuem grande força e conhecimento por parte dos apreciadores, em Champagne são as maisons que gozam de todo o prestígio. Le Mesnil e Ambonnay são nomes que não dizem muita coisa para um enófilo, mas são AOC´s de importância similar a Montrachet e Romanée-Conti no universo do champanhe. Esse padrão é típico de Champagne, uma vez que aqui quase todos os vinhos são assemblages (de uvas, safras e vinhedos). A lógica é criar um estilo, e toda casa de Champagne quer ser reconhecida pelo seu estilo, por isso precisam controlar cada detalhe da produção. A ironia é que alguns dos mais raros e caros champanhes não são assemblages, mas sim vintages de um único vinhedo, como a Krug Clos du Mesnil e a S de Salon.

Le Mesnil

O melhor champanhe é sempre feito com uva de vinhedos Grand Cru.

O grande barato de ir até Epernay é poder provar uma grande quantidade de champanhes a preço justo, mas principalmente conhecer rótulos que não chegam até nós. É bom lembrar que champanhe top nunca é barato, portanto não pense em encontrar “barganhas” em Epernay; uma safra recente de S de Salon, Cristal ou Krug não é vendida por menos de 250 euros. Visitar uma maison também é programa obrigatório, a preferida dos turistas é a Moet & Chandon, mas outras casas também oferecem visitas guiada.

Vilarejo de Mesnil-sur-Oger

O vilarejo de Mesnil-sur-Oger

A minha incursão em Champagne foi para visitar duas maisons, a Salon/Delamotte em Mesnil-sur-Oger e a Deutz em Aÿ, mas também para conhecer a região, visitar os vilarejos e comer sua comida (sempre acompanhada de champanhe). Sobre os dois primeiros produtores falarei em outro post, agora quero deixar as minhas impressões sobre o que vi e provei. Não costumo ter muitas preferências quando o assunto é vinho, tudo é uma questão de momento, companhia e comida, embora eu sempre diga: “gosto mesmo é de vinho bom!” Agora, quando o assunto é champanhe, tenho que admitir a minha paixão pelos blanc de blanc. Existe algo de mágico no terroir de Cotê des Blanc, lá a chardonnay encontra condições especiais, é a “alma” do melhor vinho espumante do mundo. Que me desculpem os fãs da pinot noir, mas para mim boa parte do encantamento único do champanhe provem das uvas chardonnay dos melhores vinhedos da Cotê des Blanc. A mineralidade e a acidez viva da chardonnay formam o caráter espiritual do melhor champanhe. Não importa a marca, quase todo champanhe de alto nível emprega uma certa quantidade de chardonnay de Avize, Cramant, Oger e Mesnil-sur-Oger, notoriamente as melhores AOC´s da Côte des Blanc. Talvez a única exceção seja o Krug Clos d´Ambonnay, o champanhe mais caro e exclusivo que um “mero mortal” pode comprar, feito no estilo blanc de noir com 100% de pinot noir. Não caro leitor, eu não provei a joia da coroa da Krug, afinal não posso dispor de mais de 3 mil dólares numa garrafa de vinho.

Guy Charlemagne

A casa Guy Charlemagne em Mesnil-sur-Oger.

Alguns dos melhores champanhes que provei foram blanc de blanc: S de Salon 1999, Amour de Deutz 2003, Delamotte Blanc de Blanc 2002, Guy Charlemagne Brut Réserve e Collard Picard Dom Picard. Dos três primeiros falarei em outro post, agora é a vez de apresentar o Guy Charlemagne e o Collard Picard. Guy Charlemagne é um pequeno produtor, mas com a sorte de ter um bom pedaço de terra em Mesnil-sur-Oger, um privilégio para poucos. O seu Réserve Brut é um blanc de blanc não safrado feito apenas com uvas de Mesnil-sur-Oger. Um belo champanhe, fresco é muito vívido, frutas cítricas dominam no nariz, uma boa presença mineral define o vinho na boca. Por menos de 40 euros, Guy Charlemagne oferece uma ótima opção para quem deseja conhecer as características básicas de um dos grandes terroirs da França. Outro produtor que chamou a minha atenção foi Collard Picard, com o seu delicioso Dom Picard Blanc de Blanc. Estabelecido em Villers Sous Chatillon, no Vallée de la Marne, este pequeno produtor também possui vinhedos em Oger e Mesnil-sur-Oger. O Dom Picard Blanc de Blanc é delicioso, tem um estilo leve e refrescante, com aromas de maça verde, flores e brioche. Por 28 euros, não bebi champanhe melhor que a Dom Picard. Para nossa sorte, ainda existem ótimos champanhes a preços competitivos, uma pena esses vinhos não terem importação no Brasil.

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  • Filipe Augusto Ferreira

    Boa tarde!

    Acompanho o blog/ site a mais de um ano e é a primeira vez que faço um comentário no mesmo. Sou um grande fã de espumantes, porém ao contrário do vinho, acabo consumindo muitos espumantes brasileiros, não tendo grande conhecimento sobre o champanhe, cava ou asti´s italianos. De nossos espumantes gosto de vários, mas o último que me agradou muito foi o Cave Geisse Nature, gostaria de saber se existe alguma semelhança entre esse espumante e os champanhes ?

    Abraços