34.º Festival Delle Sagre Astigiane

Já comentamos aqui no QVinho da proposta de abrir um espaço para nossos leitores e amigos participarem contando suas experiências enogastronômicas. O relato a seguir é de uma amiga nossa, a Amanda Santiago, que está fazendo um curso de aperfeiçoamento em Design na cidade de Torino, na Itália. Nossa privilegiada amiga não poderia ter escolhido região melhor. Alguns quilômetros dali estão Asti e Alba, verdadeiros pólos da gastronomia e do vinho na Itália. Quem assistiu o filme Sem Reservas deve lembrar de onde vinham as cobiçadas e caras trufas brancas.

No 34º Festival Delle Sagre Astigiane, a festa começa de manhã, com desfiles entre outras coisas só que fui com amigos italianos que trabalhavam sábado inteiro, chegamos lá umas 21 hrs. A festa era grande, numa praça central – Piazza Campo Del Palio – com 47 barracas com todos os tipos de vinhos e pastas. Em qualquer 34º Festival Delle Sagre Astigianebarraca você podia comprar o copinho que vinha dentro de um saquinho para colocar no pescoço, ai você vai andando com o copo no peito, cheio de vinho, achei barato, €0,50. Como sempre ouvi falar das famosas trufas, eu resolvi experimentar o Tagliatelle all’uovo con tartufo, sobre o tartufo não tenho o que comentar, não sei se é porque não estava fresco ou se é sem graça mesmo, mas não senti gosto de nada, talvez um levíssimo gosto de cogumelo, mas a massa em sí tava muito boa, os pratos variavam os preços entre €2 e €4,50 (o meu como tinha trufa era o mais caro). Na entrada ganha-se um folheto com os número das barracas, o que cada uma tem e um mapinha de onde elas estão, isso eu achei bem organizado, porque organização é uma coisa que não combina com a Itália :) 34º Festival Delle Sagre AstigianeNão sou nem um pouco conhecedora dos vinhos então não sei falar muito sobre eles, experimentei vários, os espumantes de Asti são maravilhosos! Eu gosto mais de bebida doce, então adorei os espumantes doces… Também bebi vinhos secos, mas até eles eram vinhos leves, que não deixavam gosto amargo na boca e desciam muito bem! O preço das garrafas €4,50, tinha uns mais caros de €5,00, realmente um absurdo de barato! Dizem os italianos que no Brasil seriam caríssimos.A festa estava cheia, pessoas com filhos pequenos, os jovens que queriam se embebedar, velhos, pessoas com seus cachorros (o que é muito comum aqui na Itália, eu só queria saber onde eles enfiam esses cachorros, porque em Torino não tem casa, e os apartamentos são picolos!!!)… Só que tiveram dois problemas que achei meio chato: as garrafas teoricamente Amanda Santiago. Designer brasileira que atualmente mora em Torino.não poderiam ser abertas ali na festa, você que tinha que levar o abridor, sorte que meus amigos sabiam!O outro problema é que tudo fechou 23.30! Não tinha mais vinho e nem comida, achei muito desanimador, pois nós brasileiros estamos acostumados a passar a noite inteira fazendo festa! Os vinhos que bebi que me lembro: Monferrato Bianco e Grignolino D’Asti que eram secos (um bianco e o outro rosso), um espumante doce Gancia Asti e tiveram outros dois espumantes (um rosso e outro bianco como o Gancia) que não me lembro o nome mas eram muito bons! O Gancia eu recomendo bastante :)

www.festivaldellesagre.it

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Amanda, o Grignolino D’Asti é um vinho muito popular aí no Piemonte, acompanha as refeições do dia-a-dia. É um tinto ligeiro (pode ser rosado), isto é, geralmente leve e frutado, porém com uma acidez marcante. Os melhores produtores fazem o Grignolino D’Asti num estilo que lembra o Beaujolais. Outro tinto muito popular aí é o Freisa, que é mais estruturado, mesmo assim, longe da austeridade típica dos vinhos mais nobres do Piemonte.

    Seu amigo tem razão, esses vinhos são difíceis de serem encontrados no Brasil, e quando encontramos, geralmente o preço não justifica a compra.

    Aproveite bem sua temporada em Torino. Abraço!

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Você tem razão Amanda, esses pratos aromatizados a base de trufas, não frescas, costumam ser bem medíocres. Nesse caso o objetivo é a festa, e como uma sacada de marketing o mote do tartufo é muito eficaz como você pode perceber. Mas não se iluda, num bom restaurante do Langhe qualquer prato que utilize o Tartufo Bianco (setembro/dezembro) não sai por menos de 50 euros. Porém, posso afirmar que a experiência vale a pena.