Barolo Luigi Einaudi Nei Cannubi 2004

Barolo é um daqueles nomes que consegue exprimir como nenhum outro, a alma do vinho italiano. A localidade, situada nas colinas do Langhe, que deu nome a um dos mais emblemáticos vinhos italianos, é o berço da uva Nebbiolo. A fama desse vinho remonta o século XIX, mas foi somente em 1934 que os piemonteses iniciaram o movimento de proteção dos vinhos com a criação do Consórcio para a Defesa dos Vinhos Barolo e Barbaresco; e em 1966, com a inclusão como Denominação de Origem Controlada (DOC). O caminho percorrido pelo Barbaresco, seu irmão mais novo, não foi diferente. A evolução qualitativa dos vinhos e o reconhecimento do mercado é um fenômeno relativamente novo, que aconteceu nos últimos 25 anos. Para se ter uma ideia, em 1964, num dos principais vinhedos de Barbaresco, o Sori San Lorenzo, as vinhas tinham um papel secundário, disputando espaço com outras culturas, como árvores frutíferas, e até mesmo o pasto para alimentar o gado. Hoje, o Barbaresco Sorí San Lorenzo Gaja é vendido por cerca de R$ 1.592,00 a garrafa. Nada mal!

O que muita gente não sabe, é que assim como os `Crus´ na Borgonha, em Barolo e Barbaresco também foram classificados os grandes vinhedos dessa denominação. Em Barolo os vinhedos de Brunate, Cannubi, Sarmassa, Monghisolfo seriam os grandes expoentes; assim como em Barbaresco, vinhedos como Asili, San Lorenzo, Rabajà, Montestefano entre outros. Essa vocação de certos vinhedos para produzir vinhos excepcionais já era conhecida de longa data pelos italianos. O prestigio do vinhedo de Cannubi, por exemplo, chegou a preceder a própria fama do Barolo. A mais antiga garrafa encontrada no Langhe constava a seguinte inscrição em seu rótulo “Cannubi 1752”. Por isso, para quem quer provar um vinho realmente superior dessa região, não basta escolher um rótulo de um bom produtor da DOCG Barolo ou Barbaresco, fique atento a menção de algum Cru. Nesse caso você terá um forte indicador da qualidade do vinho, e é claro, prepare-se para pagar preços mais altos.

A Poderi Luigi Einaudi tem suas raízes ligadas ao vinho que remontam o ano de 1897, quando a família adquiriu a Cascina San Giacomo em Dogliani. Contudo, em 1997, a compra de uma área de 2,2 Ha no soberbo vinhedo de Cannubi deu um novo impulso a Poderi Luigi Einaudi. Hoje, a vinícola já possuí cerca de 11 vinhedos espalhados em áreas nobres de Dogliani e Barolo, e tem apresentado uma evolução considerável, lançando a cada ano vinhos melhores. Dentro da disputa entre os ditos produtores de Barolo `tradicionalistas´e `modernos´, a Poderi Luigi Einaudi integra o segundo time. Seu Barolo consegue ser mais frutado e acessível mesmo quando jovem (5 anos); muito diferente de alguns Baroli excessivamente tânicos e rustícos, bebíveis somente após 15 anos de amadurecimento.

O Barolo Nei Cannubi 2004 apresentou uma bela cor rubi marcada por um halo levemente alaranjado, e lágrimas já sem pigmentação. Depois de 3 horas no decanter revelou um bouquet incrivelmente perfumado e elegante. Ameixas maduras, cerejas e o característico floral, lembrando pétalas de rosas; carvalho já bem integrado. Um Barolo com excelente concentração e muito estruturado, mas ao mesmo tempo com taninos sedosos e acessíveis, tudo perfeitamente equilibrado. Final longo e delicioso! Um Barolo de grande personalidade, que está fantástico hoje, mas pode suportar perfeitamente muitos anos na garrafa.


Não importa a escola de sua preferência, tradicionalistas ou modernos, esse é um exemplar magnífico de Barolo de uma safra excepcional

Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$280
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

  • marcone

    olá, jackson, tudo bom, tenho um chateau haut-theulet,monbazillac,1997,esse é um vinho de sobremesa?

    • http://www.qvinho.com.br Jackson

      Sim Marcone, apesar de não ter a mesma fama dos Sauternes, a Apelação Monbazillac produz ótimos brancos doces. Pra que esperar mais? Aproveite o vinho! Abs

  • Marcio

    Jackson, obrigado pela explicação e pela dica! É algo simples de se fazer, e realmente muito útil.
    Abs

  • Marcio

    Olá Jackson.
    Quando temos que decantar um vinho dessa categoria, por 3 horas ou mais (já li um artigo seu que o vinho ficou decantando por 8 horas), como fazer para manter a temperatura ideal? Onde deixar o decanter?
    Se ficar fora da adega climatizada, depois de 3 horas não estará “quente” demais?
    Abs

    • http://www.qvinho.com.br Jackson

      Olá Marcio,

      É bem comum alguns vinhos precisarem de mais de 4 horas no decanter. E dependendo o dia, ou o local onde você mora, a temperatura do vinho no decanter, depois de alguns horas, provavelmente estará acima do ideal. Por isso costumo encher uma pia com um pouco de água e pedras de gelo, e aí coloco o decanter quando preciso abaixar a temperatura. Muito simples! Mas claro, fique controlando para que não abaixe demais, ok?

      Abraço