Tenimenti Luigi D´Alessandro: Aposta acertada na Syrah

Quem acompanha o QVinho vai perceber que já comentei sobre um dos vinhos dessa vinícola italiana. Foi durante o último Encontro Mistral que conheci esses rótulos, tanto que relacionei o Il Bosco Syrah 2004 na minha lista dos Top 10. Pois bem, como sou um apreciador de Syrah e gostei dos vinhos da Tenimenti Luigi D´Alessandro, resolvi fazer uma prova com os vinhos dessa azienda. Exatamente, eu não troquei bolas, é Syrah mesmo! A propriedade (parte de uma antiga Villa conhecida como Fattoria Di Manzano) está localizada nas colinas de Cortona (Cortona DOC) na região da Toscana, e pertencia, desde 1700, a uma família de nobres. Em 1967, Luigi D´Alessandro comprou a propriedade de aproximadamente 150 hectares. Porém, somente em fins dos anos 80 os irmãos Massimo e Francesco D´Alessandro iniciam um processo de reestruturação que mudou os rumos da vinícola. A começar pelos estudos em um vinhedo experimental de 5 hectares onde foram plantados clones de Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah entre outras. Os resultados confirmaram a excepcional capacidade de adaptação da Syrah nesse terreno.

O clima seco e quente nos meses de verão (com raríssimas chuvas no período de colheita); com excelente exposição dos vinhedos ao sol, combinado ao solo com alto percentual de argila, proporcionam um ambiente ideal para obter um Syrah de ótima concentração e elegância.

A decisão dos sócios não foi outra senão substituir gradualmente os vinhedos antigos de Trebbiano e Sangiovese por clones de alta qualidade de Syrah plantados em alta densidade (7.000 a 8.500 plantas / hectare). Graças à elevada competição entre as plantas, o rendimento por vinha é baixo (menos de uma garrafa por planta), por outro lado a homogeneidade de maturação e concentração de fruta são excepcionais. O ótimo trabalho desenvolvido ao longo desses anos foi fundamental para consolidar a reputação da Tenimenti Luigi D´Alessandro de produzir um dos melhores Syrah da Itália.

Agraciado freqüentemente com os “3 Bicchieri” do Gambero Roso, o Il Bosco também conquistou críticos como Robert Parker, que concedeu 92 pontos para a safra 2004.

Na Wine Spectator, o Il Bosco 2003 recebeu 94 pontos e figurou na 14.ª colocação entre os Top 100. Infelizmente não são vinhos muito baratos para nós aqui no Brasil, entretanto se compararmos com um Hermitage, o Il Bosco pode sair na frente, tanto no quesito qualidade como no preço.

* Recentemente 50% da vinícola foi comprada por Giuseppe Calabresi, amigo de longa data de Massimo D´Alessandro, e que hoje compartilham a visão de produzir vinhos de excelência e projeção internacional.

Importadora: Mistral

Fontarca Chardonnay-Viognier, Cortona Syrah e Il Bosco

Fontarca Chardonnay-Viognier IGT 2005

O Fontarca é um elegante branco feito a partir de um assemblage de Chardonnay (50%) e Viognier (50%), com percentual variável a cada safra. No processo de vinificação a Chardonnay passa por uma fermentação em barricas de carvalho novas durante 8 meses, ao passo que a Viognier fermenta e amadurece em barricas de segundo e terceiro uso. Bela cor amarelo-ouro e um halo levemente esverdeado. Bouquet de boa intensidade, num encontro magnífico dos perfumes de frutas de polpa branca, mel, noz-moscada e florais; com as notas amanteigadas e de baunilha vindas do amadurecimento da Chardonnay. Na boca é generoso, acidez razoável e um final longo e caloroso. Muito gostoso!

Excelente
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$100

Cortona DOC Syrah 2005

Um vinho 100% Syrah que possui uma proposta mais acessível, ou seja, menos aristocrático que o Il Bosco. Com uma extração não tão intensa e estagio de apenas 8 meses em barricas de carvalho francês, o Cortona Syrah 2005, apesar de jovem, apresenta-se redondo e pronto para consumo. Cor rubi com certa transparência e um halo levemente violáceo, esse Syrah mostrou um bouquet delicado, mas ao mesmo tempo muito distinto. Aromas sutis de frutas frescas como amoras e cerejas, muito embora nesse vinho a frutuosidade não seja um ponto forte. Aqui o destaque vai para as notas de couro, estrebaria (alguns dos nossos convidados acharam estranho, eu gostei) e flores do campo. A boca não é muito estruturada, porém os taninos sedosos e a ótima acidez deixam o vinho com uma excelente harmonia. O fim de boca é seco, com álcool na medida certa, proporcionando uma ótima sensação de frescor. Faz bonito diante de bons Crozes-Hermitage. Um delicioso Syrah que deve combinar muito bem com diversos tipos de pratos.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$ 87

Il Bosco Syrah 2004

O premium da vinícola, o Il Bosco, também é um monovarietal obtido a partir das melhores clones de Syrah do vinhedo (174, 383 e 470), de plantas com baixíssimo rendimento e colheita totalmente manual. O vinho também faz uma fermentação malolática em barricas e estagia ao todo por 18 meses em carvalho francês (50% novo e 50% de um ano). Ao contrário do que muitos possam imaginar o Il Bosco é bem diferente do Cortona Syrah. Na verdade o Il Bosco consegue reunir o melhor da elegância dos vinhos europeus com a concentração e fruta exuberante dos grandes vinhos do Novo Mundo. Cor rubi e muito rico em matéria corante, o Il Bosco revela, após uma hora de decanter, um perfume intenso e persistente. Notas complexas lembrando especiarias como pimenta preta; além de frutas negras maduras como cereja e cassis. Aromas florais aparecem mesclados as notas elegantes de alcaçuz e baunilha dadas pelo carvalho. Na boca é potente, um perfeito equilíbrio entre os taninos firmes e o calor do álcool (14,5%). Fim de boca longo com uma frutuosidade impressionante. Delicioso hoje, mas para quem quiser guardar, o jovem Il Bosco poderá ficar ainda mais fino nos próximos anos.

Excepcional
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$170

  • Jose Eduardo Pacheco Pereira

    Il Bosco Syrah 2004, uma deliciosa surpresa, um Syrah para se lembrar….., merecidamente incluído na lista dos “Top 10″

  • Pingback: Lista dos Top 10 Melhores Vinhos de 2008

  • http://bonsdegarfo.blogspot.com Pedro Ferreira-Lemos

    Já havia me interessado pelo Il Bosco Syrah. Acho sempre nobre a tentativa de adaptar a cepa e construir um vinho de cepa e geografia inigualáveis.
    Grande abraço, sempre acompanho o blog de vocês.