A vocação pela diversidade dos vinhos portugueses

É interessante observar como um país com uma área territorial pouco menor que o estado de Santa Catarina possa abrigar tamanha diversidade de microclimas, solos, e principalmente, uvas autóctones capazes de produzir vinhos tão ricos. Foi exatamente com a proposta de apresentar uma parte dessa diversidade que a ViniPortugal organizou uma série de degustações em três capitais brasileiras. No final de novembro estive presente na degustação realizada em Curitiba, no restaurante Guega, conduzida por Nuno Araújo, proprietário da Quinta de Covela. Nesse encontro além de conhecer mais sobre estatísticas de produção e participação dos vinhos portugueses nos principais mercados, pude provar uma amostra de vinhos das principais regiões de Portugal como: Lisboa, como é hoje conhecida a antiga região da Estremadura (Quinta da Chocapalha), Península de Setúbal (Quinta da Bacalhôa), Dão (Quinta dos Roques), Douro (Quinta da Gaivosa e Ramos Pinto), Alentejo (Quinta Dona Maria), Ribatejo (Quinta da Alorna), Minho (Ameal e Covela) e Bairrada (Casa de Saima).

Se por um lado a prova confirma o potencial desse território para produzir vinhos de grande personalidade, com características únicas; por outro, o grande desafio será como usar com sabedoria os recursos da enologia moderna de modo a não padronizar esses vinhos. A exemplo do que já aconteceu em outras regiões clássicas, muitos produtores portugueses, no impeto de ganhar espaço no mercado internacional, modernizaram demais o estilo dos vinhos. Se os consumidores exigem produtos mais acessíveis e prontos para beber ainda quando jovens, resta aos bons produtores buscar uma sintonia fina de modo a entregar vinhos com essas características, contudo preservando algo fundamental: a identidade.

Quinta do Ameal Loureiro 2007 – R$69

Da sub-região do Lima, o Quinta do Ameal produzido 100% com uvas Loureiro impressiona com seu aroma exuberante de frutas tropicais e notas florais, típicas dessa casta, e um delicado fundo mineral. Na boca não fica atrás, mostrou boa estrutura e um delicioso frescor, graças a sua a acidez vibrante. Álcool na medida, final frutado e duradouro.

Importadora: Grand Cru

Quinta da Alorna Branco 2008 – R$36

O Quinta da Alorna, do Ribatejo, leva uvas Arinto e Fernão Pires. Nariz com intensidade média, mas muito agradável, notas cítricas e frutos tropicais. Leve e curto na boca, não chega a empolgar; um branco descompromissado e adequado para aperitivos.

Importadora: Adega Alentejana

Quinta Covela Escolha Branco 2007 – R$67

Nuno Araújo e o enólogo Rui Cunha, muito reconhecidos pelo excelente trabalho em prol da agricultura biodinâmica, apresentaram uma proposta inusitada e ousada nesse corte de Avesso, Chardonnay, Gewurztraminer. Logo ao primeiro contato um aroma fresco de boa complexidade com destaque de frutas tropicais e um ótimo floral. Na boca é delicioso, boa estrutura com nuances minerais e um equilíbrio adequado entre acidez e álcool.

Importadora: Grand Cru

Quinta da Covela Escolha Palhete 2007

O Palhete da Quinta de Covela é confeccionado a partir de 40% Touriga Nacional, 30% Cabernet Franc e 30% Merlot. Nariz elegante, com uma junção de frutos vermelhos e notas minerais. Bem encorpado e com final bem longo. Não se iludam, trata-se de um vinho seco, e perfeito para harmonizações gastronômicas.

Importadora: Grand Cru

Paulo Laureano Branco 2007 – R$94

Representando um dos expoentes do Alentejo, o Paulo Laureano Branco é produzido com uvas Antão Vaz e Roupeiro. Nariz marcado por frutas tropicais maduras e um aroma insinuando mel. Ainda percebe-se uma intensa presença de notas tostadas do carvalho. Na boca é volumoso, tem boa cremosidade e um fim de boca levemente alcoólico. Um bom vinho, mas acredito que faltou acidez para deixá-lo mais fresco e equilibrado.

Importadora: Adega Alentejana

Casa de Saima Reserva 2003 – R$102

Com a uva Baga, da Bairrada, provamos o elegante Casa de Saima Reserva 2003. Nariz intenso de frutas negras maduras e aromas mentolados; madeira presente, mas muito bem integrada. Na boca tem corpo médio, ótima acidez, com taninos finos e maduros. Um vinho delicioso, muito fresco e versátil, ideal para acompanhar pratos gordurosos.

Quinta da Chocapalha 2006 – R$59

Da sub-região do Alenquer, em Lisboa, o Quinta da Chocapalha é resultado de um belo trabalho da jovem e talentosa enóloga Sandra Tavares. Um vinho concentrado, rico em frutas negras maduras, caramelo e notas especiadas da madeira. Na boca é encorpado, taninos sedosos e um final alcoólico. Pronto para beber.

Importadora: Vinci

Quinta da Bacalhôa 2006 – R$120

Representando a Península de Setúbal, o Quinta da Bacalhôa foi único rótulo da noite feito apenas de castas não portuguesas. Produzido a partir das uvas Cabernet Sauvigon e Merlot, o Bacalhôa apresentou um aroma frutado, acompanhado de um intenso bouquet de notas verdes, como pimentão; chega a lembrar alguns Cabernet chilenos do Maipo. No conjunto aparece ainda notas emprestadas do carvalho. A estrutura é mediana, taninos de boa qualidade e já acessíveis, e um final doce e atraente. Um estilo de vinho que pende para o moderno e internacional.

Importadora: Portucale

  • http://www.revistatopempresarial.com.br carlos alberto pereira

    Fiquei fascinado pelo vinho português e pelas características únicas de terroir e castas(autócnes).Acho que deveriam continuar com isso, não incluindo viníferas já largamente conhecidas no mundo. Acredito que o grande diferencial de marketing de Portugal e sua melhor inserção no mundo, são , exatamente ,estas caraterísiticas únicas.