Cortes de Cima: vinhos alentejanos com elegância e intensidade

Propriedade familiar localizada perto de Vidigueira no baixo Alentejo, a Cortes de Cima desponta como uma das jóias dessa ascendente região de Portugal. O dinamarquês Hans Kristian Jorgensen e sua esposa Carrie Jorgensen viram na propriedade de 365 hectares de Cortes de Cima, que até então só produzia cereais, uma oportunidade para a produção de grandes vinhos e azeites. Sem dúvida uma aposta de sucesso. Desde 1991, quando plantaram as primeiras vinhas, o casal só tem motivos para comemorar. Toda sua linha de vinhos que começa com o Chaminé e vai até o Cortes de Cima Reserva são muito bem feitos e se destacam junto a critica especializada.

A escolha das vinhas para plantio foi pelas tintas, ao contrário das práticas locais que privilegiava as uvas brancas com alto rendimento. O plantio de variedades tintas, inclusive de uvas não autorizadas para a produção de DOC de Vidigueira, também se mostrou acertada. A nobre variedade que ganhou fama no Vale do Rhône, a Syrah, mais uma vez provou a sua imensa capacidade de adaptação e vocação de produzir vinhos com muita concentração e ao mesmo tempo classe. A vinícola debutou com seu Syrah, o Incógnito, na colheita de 1998, e desde então colheram muitos elogios.

Hoje são 130 hectares de vinhas distribuídas em parcelas que cultivam principalmente Tempranillo (44 ha), Syrah (41 ha), Trincadeira (10 ha) e Touriga Nacional (15 ha). O clima da região relativamente seco e quente, com uma certa influência marítima já que está a 100km do mar, faz com que as temperaturas sejam moderadas favorecendo uma maturação mais lenta das uvas. A irrigação por gotejamento e o solo em pedra calcária proporcionam um ótimo controle hídrico nas vinhas. E seguindo a linha dos vinhedos do Novo Mundo, a Cortes de Cima foi a primeira de Portugal a implantar o sistema de condução das vinhas Smart-Dyson ou Up-Down, e novamente contrariou a DOC da região, que impunha a condução da vinha pelo modo tradicional Cordon Francês.

Apostar no novo, correr riscos, quebrar regras; parece que esse espírito de inovação muito presente nos empreendedores do novo mundo está no sangue dos Jorgensen. Digo isso porque além da utilização de técnicas modernas na confecção dos vinhos, a equipe da Cortes de Cima mostrou competência e arrojo no seu marketing, explorando muito bem as ferramentas da web 2.0, principalmente em redes sociais como Facebook, Flickr, Youtube e Twitter. Fiquei conhecendo a vinícola por meio da minha rede de contatos no Facebook.

Nessa degustação não chegamos a provar o Cortes de Cima Reserva e nem o Incógnito, mas em outra ocasião vamos incluir esses rótulos. Se tirarmos uma base pelos vinhos que já degustamos, certamente teremos excepcionais vinhos para recomendar aos nossos leitores.

Importadora: Adega Alentejana

Cortes de Cima 2005

Um vinho delicioso e muito bem equilibrado, feito de uma feliz mistura de Syrah (67%), Tempranillo (16%), Touriga Nacional (12%) e Cabernet Sauvignon (5%). Passou 12 meses em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). Cor rubi ligeiramente violácea. Aroma muito agradável de frutas vermelhas maduras; notas tostadas da madeira e um nítido toque floral fecham a composição da paleta aromática. Encorpado, embora passe uma sensação de maciez e leveza, graças aos taninos de excelente qualidade. Final de boca marcante.

O Cortes de Cima 2005 é jovem e vigoroso, consegue manter a graciosidade de vinhos mais evoluídos sem cair no lugar comum.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$84,90

Cortes de Cima Syrah 2004

O Syrah que a Cortes de Cima produz é poderoso, tem a fruta generosa dos melhores vinhos do Novo Mundo, mas não peca pelos exageros. Cor púrpura escura. Aroma de frutas negras, chocolate e uma certa complexidade de especiarias. Encorpado e rico, os taninos são de ótima qualidade, apesar de jovens. Acabamento gostoso, frutado, seco e com boa persistência.

Esse Syrah alentejano é denso e repleto de nuances de fruta madura e notas tostadas.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$99,80

Chaminé tinto 2007

O vinho mais básico da Cortes de Cima também não decepciona. Um corte de Tempranillo (54%), Syrah (36%), Touriga Nacional (6%), Trincadeira (3%) e Cabernet Sauvignon (1%). Cor violácea com transparência. Nariz com boa intensidade e frescor, lembrando frutas vermelhas maduras, notas defumadas e um sutil toque herbáceo. Corpo médio, taninos macios e acidez muito boa. Final de boca gostoso, apesar de não ter uma grande persistência.

O Chaminé é leve, gostoso e fácil de beber. Apresenta aromas atrativos e certa personalidade.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$53,10

  • manuela tomas

    gostava de conhecer os vossos vinhos vou começar a fazer exportaçoes para angola e gostava se fosse possivel visita-los esta sexta- feira Sou atenciosamente manuela tomas

  • Zanatta

    Realmente o vinho surpreende e é um dos mais solicitados em minha adega em Vitória-ES..parabéns adega Alentejana e representante local pela indicação desse formidável vinho..

  • Fernando Lopes*

    Não tenho a veleidade de dizer que sou um conhecedor de vinhos. Mas há uma coisa que ouvi e aprendi já há muitos anos, num almoço ” de vinhos ” no Palace Hotel do Buçaco. Um enólogo de renome mundial, na sua intervenção, disse, ” não devo dizer que este vinho é melhor que aquele outro, mas sim que entre os vinhos que me são presentes, este é o que me sabe melhor “. Não acham que revela um apreço especial por determinado vinho respeitando todas as outras opiniões ? Devo dizer que ainda hoje me guio por esta asserção.

  • rui do carmo costa

    Provei cortes de cima e gostei.
    Quero adquirir alguma unidades.

    rio de janeiro- brasil

  • Orlando Morgado

    Os vinhos da Cortes de Cima tem sabido manter o nível de qualidade a que nos habituaram desde as origens. O Chaminé continua a ser um verdadeiro campeao na sua categoria, aportando aquilo que muitos dos seus mais directos concorrentes nao alcancam. Um vinho equilibrado, redondo, com boa acidez e taninos bem resolvidos.
    Quanto ao monovarietal (Syrah) surpreende novamente pelo seu nível, apresentando-se como um dos melhores Syrah, na sua faixa de preco, produzidos em Portugal. Encorpado, retirando o melhor que esta uva nos pode oferecer, revela uma boa estrutura, alguma complexidade, uma acidez muito boa e uns taninos que, marcando a sua presenca, nao se impoe ao conjunto.
    Nao foi a toa que estes foram dois dos vinhos que trouxe comigo na minha visita recente ao torrao natal.
    Ja agora, e no caso de fazerem essa tal de visita, nao se esquecam de enviar um convite.

    Abraco
    Orlando Morgado

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Legal José! Seria bom participar do “Passeio Enológico”.

    Abraço!

  • http://www.cortesdecima.com José Eduardo

    Que bom que vocês finalmente provaram os nossos vinhos e gostaram. Espero, dentro em breve, ter o prazer de conhecer vocês pessoalmente. Se a Adega Alentejana organizar de novo o “Passeio Enológico”, à semelhança de Abril passado, em 2009 terei muito gosto em convidar vocês a nos visitarem no evento.

    Aquele abraço luso,
    José Eduardo