Degustação vinhos do Porto e do Douro

No artigo anterior comentei em linhas gerais sobre o evento de degustação promovido pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP). Hoje, vou relacionar alguns vinhos bem interessantes que provei. Claro, numa gama tão ampla de produtos colocados à degustação fica difícil falar de todas as marcas, porém em futuros artigos vamos degustar outros rótulos que se destacaram e fazer comentários em profundidade. Muitos vinhos das safras 2004 e 2005 ainda precisam de um pouco mais de tempo na garrafa, no entanto, é indiscutível a excepcional qualidade dessas safras e seu potencial de guarda.

Domini Plus 2004 da José Maria da Fonseca (R$ 169)

Tradicional vinícola da Península de Setúbal que fez fama com o seu Periquita Classico, lançado em 1850, e que até hoje é um dos vinhos mais vendidos de Portugal. Atualmente estão à frente da empresa os enólogos Domingos Soares e Cristiano Van Zeller, responsáveis por esta ‘batida’ mais de Novo Mundo de vinhos como o Hexagon e o Domini Plus. Este último apresentou um bouquet intenso e persistente, lembrando frutas em compota e especiarias. Taninos firmes com um final longo e saboroso. Quem diria, o vinho tem 16% de álcool.

Porto Real Companhia Velha Royal Oporto 10 anos (R$149)

Cor tendendo ao alaranjado, bouquet de boa intensidade com toque de frutas secas. Potente com um final muito longo, mas sem exageros de doçura.

Douro Quinta de la Rosa Reserva Tinto 2004 (R$185)

Mais um potente e delicioso Douro confeccionado de um lote de vinhas velhas (34%) e vinhas mais jovens de Touriga Nacional (56%) e Tinto cão (10%). Aroma intenso e complexo lembrando frutas negras maduras, envoltas por notas de especiarias como cravo e pimenta que denuncia claramente um trabalho afinado no carvalho. Na boca mostra muita estrutura com taninos jovens, boa acidez e um final muito persistente e picante.

Douro Redoma 2004 Niepoort (R$145)

O Redoma, na linha dos clássicos do Douro, sempre figura como uma excelente opção. Resultado de um trabalho brilhante de Dirk Niepoort que encabeça essa empresa fundada em 1842, e que a cinco gerações esta na mão da familia Niepoort. Um vinho elegante, com notas complexas e evoluídas no bouquet. Final longo, seco e sem exageros de madeira.

Douro Meruge tinto 2003 – Lavradores de Feitoria (R$120)

Produzido pela Lavradores de Feitoria o Meruge é um vinho também de uma linha mais internacional. Aroma de boa intensidade com notas de frutas vermelhas e baunilha provenientes do estágio em carvalho. Na boca taninos macios; final levemente adociado, muito fácil de gostar e beber.

Porto Six Grapes Graham´s (R$69)

Porto Ruby feito num estilo mais próximo dos vintage. Cor violeta bem escura; Aromas focados em frutas negras; taninos macios. Como o próprio nome sugere, é feito a partir de seis uvas diferentes: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Tinto Cão.

Porto Vista Alegre 40 Anos (R$220)

Excepcional Porto. Bouquet complexo, incrivelmente vivo e fresco. Muito equilibrado e suave na boca. Doçura na medida certa, perfeito para beber já!

Douro Fuseiro Touriga Nacional 2003 – Quinta da Fonte Nova (€10)

Excelente 100% Touriga Nacional. Cor rubi escura. Bouquet de boa intensidade lembrando frutas vermelhas maduras, floral e especiarias. Na boca é encorpado, mostrando taninos firmes, boa acidez e ótima persistência no final de boca. A Quinta da Fonte Nova também produz o Arrobeiros, um corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Francesa, provenientes de velhas vinhas de Soutelo do Douro. Conversei com João Russo, proprietário da Quinta da Fonte Nova, que informou que ainda não tem representação aqui no Brasil.

Quinta das Hidrângeas Bons Anos Tinto 2006 (€17)

Jovem Douro com um bouquet ainda um pouco fechado, taninos muito vivos e presentes (a safra 2006 foi recém-engarrafada e deve ser lançada somente em Setembro); ressaltam ainda os 14 meses do carvalho. Demonstra um grande potencial, é só esperar uns anos para comprovar. Provei também o excelente Rosé da safra 2007 (vinhas velhas de 70 anos), intenso, fresco e muito agradável, um vinho que em Portugal custa €5. O enólogo Ricardo Tiago Guerra está buscando representação no Brasil, vamos torcer para que em breve esse vinhos desembarquem por aqui e, o principal, mantendo a excelente relação qualidade / preço.

Quinta da Pacheca Reserva 2004 (R$129)

Aroma agradável de frutas negras maduras. Elegante, seco, com ótima estrutura e final persistente. Um vinho ainda muito jovem que com certeza deverá evoluir bem. A Quinta da Pacheca é uma das mais conhecidas propriedades do Douro, foi a primeira a engarrafar vinho com marca própria, isso em 1738! Atualmente pertence a família Serpa Pimentel. No evento estava um dos proprietários, o José Serpa Pimentel, que procurou apresentar seus vinhos com muita dedicação.

Ferreira Porto “Quinta do Porto” Tawny 10 Anos (R$180)

Mais uma marca da gigante portuguesa Sogrape. Esse Tawny foi produzido a partir de uvas selecionadas a Quinta do Porto e vinhas adjacentes (zona do Pinhão, sub-região Cima Corgo). Um excelente Porto, muito equilibrado e macio. Final delicioso e não muito doce.

  • Fernanda

    Listas VIP? pensei que vocês estivessem nelas. Outra coisa, você poderia indicar outros vinhos bons do Douro mais baratos?

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Caro Giovanni, infelizmente não provei o Taylor´s Vargellas. Acho que até tinha uma garrafa nesse evento, mas devia ser só para convidados muito importantes. Sou apenas um blogueiro aficionado por vinhos, ainda não figuro nas listas VIPs dos bacanas. Abraço

  • Giovanni

    Jackson, por acaso nesses vinhos do evento você provou o Taylor´s Vargellas Vinha Velha Vintage? Se provou o que achou? Quando estive em Portugal e provei esse Porto me impressionou muito. Grande abraço