Vinhos do Douro e do Porto – Evento IVDP 2010

Este ano ainda não havíamos dedicado nossas atenções aos vinhos do Douro, talvez por absoluta falta de oportunidade, ou ainda devido a nossa pauta exaustiva  de posts relacionados ao On the Road 2009, que apesar de ser tema do ano anterior, só findou recentemente. Agora, quando o Carlos Soares – membro do IVDP responsável pela divulgação no Brasil – aporta em terras brasileiras, então sabemos que teremos trabalho, afinal não é fácil provar e escrever sobre tantos vinhos de ótima qualidade. A dupla Carlos Soares e Guilherme Rodrigues esteve mais uma vez (leia mais sobre os eventos anteriores) a frente de uma bateria de degustações, dessa vez no restaurante Terra Madre, num jantar harmonizado para jornalistas e profissionais da área gastronômica. O jantar aconteceu no dia 15 de abril, porém dia 19 teve vez o evento principal no Hotel Pestana Curitiba, com mesas de vários importadores servindo vinhos para o público geral.

Vinhos do Douro e do Porto

Não pude provar todos os vinhos do evento principal, mesmo assim conheci alguns novos rótulos e comprovei a ótima qualidade das últimas safras. Os vinhos de mesa do Douro estão em ótima fase, graças a uma sucessão de boas safras e do trabalho sério dos produtores, esforçados em produzir uvas adequadas para vinhos não fortificados. Alguns vinhos que provei e recomendo:

Quinta do Vallado 2007 – R$60

A tradicional Quinta do Vallado não decepcionou com seu vinho básico. Bem feito e acessível, uma ótima opção na sua faixa de preço.  Aroma agradável, com presença de frutas negras e toques ligeiros de carvalho. Corpo médio, com taninos de boa qualidade. Corte de Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Sousão. Recomendo também o excelente Quinta do Vallado Touriga Nacional 2006 (R$140)

Importadora: Cantu

Quinta do Soque 2007 – R$75

Esta Quinta integra o projeto Douro Family Estates, uma parceria entre quatro produtores familiares com o objetivo de ganhar um maior corpo frente ao mercado, bem como de produzirem um rótulo em conjunto. O Quinta do Soque apresentou frutas negras bem madura com  ligeiras notas vegetais, além de agradáveis aromas tostados provenientes do estágio em barricas francesas. Corpo médio, bem equilibrado e com acidez agradável. Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz.

Importadora: Ana Import

Quinta dos Quatro Ventos 2006 – R$75

A  Aliança produz esse vinho no Douro Superior a partir das castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Nariz agradável, com frutas negras maduras em primeiro plano, seguidas por um fundo de carvalho. Na boca apresentou corpo médio, com taninos muito bons e final de persistência média.

Dados Reserva 2007 – R$111

Produzido pela Messias pelas mãos dos enólogos João Soares (português) e Javier Rodriguez (espanhol) com uvas de parcelas selecionadas da Quinta do Cachão. A ideia é mesclar os estilos do Douro e do Duero, numa proposta moderna e ousada. O resultado não poderia ser outro, trata-se de um vinho de estilo moderno, com fruta madura e muitas notas de caramelo e doce de leite, emprestadas da maturação em carvalho americano e francês. Macio e equilibrado, surpreendentemente acessível para um Douro jovem. Feito com as uvas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca.

Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

Quinta da Touriga Chã 2007

Ainda não conhecia este ótimo vinho, produzido por Jorge Rosas – filho de José Rosas, bisneto de Adriano Ramos Pinto. A Quinta da Touriga Chã é um dos berços do vinho de mesa do Douro, graças ao fantástico trabalho de seleção de clones de Touriga Nacional que foi desenvolvido nestas terras. O Quinta da Touriga Chã 2007 é um delicioso corte de Touriga Nacional (80%) e Tinta Roriz (20%) , ainda muito jovem e vigoroso, mesmo assim fácil de apreciar. Aroma sedutor e complexo, com frutuosidade discreta; notas de especiarias, ervas e minerais dão um charme especial. Encorpado, com taninos excelentes e ótimo equilíbrio. Um vinho fresco e saboroso, daqueles que comprovam a máxima: vinho bom é bom desde cedo, mesmo que possa evoluir por muito tempo. Parece que este vinho está atualmente sem importação, mas já foi importado pela Interfood e era vendido por volta de R$130.

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 – R$185

Um belo vinho da Quinta do Crasto que surpreende pela concentração e maciez. A Quinta do Crasto é especialista em pegar os melhores atributos do Douro e transformar em um vinho moderno e fácil de beber, num estilo que todos gostam, porém sem cair nos exageros. Aroma intenso de fruta vermelha madura, com notas de flores, baunilha e cacau; tudo em harmonia. Excelente na boca, os taninos são jovens, mesmo assim não incomodam. Um vinho elegante e sedutor. Feito com vinhas velhas de mais de 25 diferentes castas.

Importadora: Qualimpor

Quinta do Vale Meão 2007 – R$325

Provei o Vale Meão lado a lado com o Redoma de mesma safra e tenho que confessar: é sempre muito difícil escolher o melhor vinho dentre os Douro Boys. Dessa vez escolhi o Quinta do Vale Meão só para manter a mesma linha de raciocínio adotada ao apresentar o Dados, o Crasto Vinhas Velhas e, em certos aspectos, o Quinta da Touriga Chã; vinhos com ótima concentração e capacidade de envelhecimento, porém fáceis de beber nesse momento. O Quinta do Vale Meão está pelo menos um degrau acima dos outros, um vinho que fascina os sentidos e satisfaz como poucos. O primeiro contato ao nariz revela muitas notas tostadas do carvalho, mas ao girar o copo surge um amplo espectro de frutas do bosque, reforçadas por notas florais e minerais. Fantástico na boca, volumoso e suculento. Final longo e gostoso. Feito de Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (40%) e Tinta Roriz (10%).

Importadora: Mistral

Krohn Colheita 1968 – R$800

Porto Krohn Colheita 1968Não poderia faltar um Porto, não é mesmo? É verdade, falar em Douro e não mencionar nenhum Porto é quase um sacrilégio. Para a minha sorte, tive o privilégio de provar este ótimo Colheita 1968 da Krohn, um Porto feito de uma ótima safra e envelhecido por longos anos em tonéis de carvalho (no mínimo 7 anos), para somente depois ser engarrafado. Um Porto com bela cor âmbar, levemente turva. Aromas deliciosos e complexos, remetendo a frutas secas de diferentes tipos, além de algumas notas muito agradáveis de casca de laranja. Excelente na boca, saboroso, equilibrado, fresco e muito longo. Na Estação do Vinho custa absurdos R$800, mas nos EUA, seguramente o melhor país para se comprar vinhos, custa por volta de 100 dólares.

Importadora: World Wine

Também recomendamos:

O Duorum Colheita 2007 (R$59), um dos melhores na relação qualidade/preço (já escrevemos sobre ele aqui); o classudo Redoma Branco 2008 (R$103), que afirma a grande qualidade dos brancos do Douro (já escrevemos sobre o 2006 aqui); o fresquíssimo Guru Branco 2008 (R$175), outro belo exemplar de vinho branco; e o cremoso espumante Vértice Gouveio (R$100).

  • Antônio Krieger

    Olá! Também frequentei este evento, e fiquei encantado com alguns vinhos! Provei o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 (achei um dos melhores da feira) e logo que vi o Duorum Colheita 2007 me lembrei da avaliação que vocês haviam feito alguns meses atrás – e provei-o. Pelo preço que está sendo comercializado, ele é um grande vinho.
    Agora, na minha opinião, o destaque do evento foi o Quinta da Gaivosa 2005 (Domingos Alves de Sousa)…fantástico! Muito elegante, frutas frescas na boca, madeira bem equilibrada. Um “vinhasso”!!
    Se ainda não o provaram, fica aí a dica!
    Saudações!

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Caro Antônio, o Quinta do Crasto Vinhas Velhas é quase uma unanimidade. Não provei o Quinta da Gaivosa, mas provei o Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal 2005, que é um belo vinho, o problema é que custa R$230. Por muito menos daria para levar para casa o Touriga Chã, que para o meu gosto é melhor que o Reserva Pessoal.

      Abraço!