Duorum chega para engrandecer o time do Douro

Iniciado nos anos 90, o fenômeno de fusões, aquisições e parcerias com sobrenomes ilustres do mundo do vinho, se proliferou em larga escala nos últimos anos. Muitos desses projetos por estarem ancorados apenas em grifes, não conseguiram de fato emplacar; já outros que apostaram num trabalho mais consistente, mostraram que é possível fazer vinhos realmente diferenciados, e que não dependem unicamente da áurea de uma marca ou um sobrenome famoso para se sustentar. Acredito que o empreendimento da Duorum encontra-se no segundo grupo; ou seja, uma empresa que nasceu para dar certo. Primeiro porque a Duorum nasce a partir de uma aliança de dois enólogos; segundo, são dois profissionais renomados de duas regiões aclamadas por sua qualidade, Alentejo representado por João Portugal Ramos e Douro por José Maria Soares Franco – que para quem não conhece foi o enólogo da Soagrape durante três décadas e esteve a frente da produção de vinhos ícones como o Barca Velha. Foi exatamente esse espírito de dualidade que inspirou a criação do nome Duorum, do latim, “de dois”.

Os três vinhos da Duorum

Os três vinhos da Duorum

A convite das importadoras Porto a Porto / Casa Flora, José Maria Soares esteve no Brasil em novembro para apresentar e promover os vinhos da Duorum. Mesmo sem possuir vinhedos próprios, os enólogos iniciaram o projeto em janeiro de 2007, e a estratégia foi arrendar propriedades e adquirir uvas de terceiros nas regiões do Cima Corgo e Douro Superior. A aquisição de uma propriedade já estava nos planos, porém a dúvida era: comprar uma área com vinhedos velhos ou escolher a dedo um terroir privilegiado e começar do zero? Em 2008, compraram e plantaram as vinhas em uma área virgem, localizada no Douro Superior, há aproximadamente 4 quilômetros da Espanha. Essa região apresenta um clima bem quente e uma pluviovidade baixa. Segundo José Maria é preciso atenção para evitar vinhos demasiadamente alcoólicos e desequilibrados “Em 2007, choveu bastante no inverno, e o verão foi menos quente que nos anos de 2005 e 2006. Já em 2009, por exemplo – que foi um ano quente – utilizamos um percentual maior de uvas das cotas altas para garantir mais frescor e equilíbrio nos vinhos”. O estilo dos vinhos da Duorum é moderno, com muita fruta madura, porém sem excesso de maturação. Seguem a mesma linha adotada por João Portugal no Alentejo, que consiste em produzir vinhos fáceis de beber, mesmo quando jovens, mas que ao mesmo tempo exibem muita personalidade.

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Jackson, José Maria e Luiz Carlos Zanoni.

Colheita 2007 – R$58

Produzido a partir de três castas: Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, o Colheita 2007 maturou 6 meses em barricas de carvalho (predominantemente francês). Violáceo e muito rico em matéria corante, o vinho mostra toda a sua exuberância de juventude. O nariz é intenso e esbanja frutuosidade, notas que lembram ameixas, amoras e mirtilo; e um fundo levemente especiado. O final não chega a ser longo, mas tem boa estrutura, acidez correta e taninos muito maduros. Sem dúvida o Colheita 2007 é um vinho fácil de beber, de pegada moderna, e com uma excelente relação qualidade/preço.

Reserva 2007 – R$130

O Reserva é obtido a partir de uma seleção de vinhas velhas e leva um percentual maior das duas Tourigas, e um pouco de Sousão (que ajuda na cor e estrutura). Cor púrpura, muito denso e profundo; após alguns minutos no decanter começou a mostrar seus predicados. Nariz complexo e fresco, aromas que revelam frutas negras maduras e notas florais. Um toque também de especiarias, tendo em vista o estágio prolongado de 18 meses por barricas (70% novas); tudo bem dosado. Carnudo, com taninos firmes e relação acertada entre acidez e álcool. Um vinho que pode melhorar bastante nos próximos 3 a 4 anos e suportar um bom envelhecimento.

Porto Vintage 2007 – R$260

Se a safra 2007 de Porto já é considerada uma das melhores das últimas décadas, superando anos como 1977 e 1955, e comparada a 1970 e 1994; como não se surpreender com o Duorum Vintage 2007? Já em sua primeira safra foi classificado como um vintage. Para a elaboração desse Porto foram escolhidas vinhas velhas (linhas com predominância das Tourigas). Nariz exuberante e superfrutado, com aroma de licor de jabuticaba mesclado com um fantástico toque floral e mineral. Na boca é potente, e sua estrutura tânica é muito robusta. Um Vintage relativamente acessível hoje, mas que deverá brilhar de fato nas próximas décadas.

Importadora: Porto a Porto / Casa Flora